A Saúde Mental dos Estudantes Universitários em Tempo de Pandemia

A Saúde Mental dos Estudantes Universitários em Tempo de Pandemia
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A Saúde Mental dos Estudantes Universitários em Tempo de Pandemia, a partir da Linha de Apoio Psicológico da UP.

 A Linha de Apoio Psicológico da Universidade do Porto (LAPUP) foi criada em março deste ano, no contexto da pandemia COVID-19, com o objetivo de dar apoio psicológico à comunidade académica da Universidade do Porto: estudantes universitários, docentes, não docentes e seus familiares. Por intermédio deste apoio, procura-se a regulação emocional, a promoção de estratégias que permitam organizar a pessoa, em termos pessoais, relacionais e académicos/profissionais, sempre com vista à sua saúde e bem-estar psicológico.

 Até ao momento, foram recebidos aproximadamente 226 pedidos de apoio, distribuídos por 110 chamadas telefónicas e 116 e-mails. A população que mais recorre a este tipo de apoio centra-se nos estudantes universitários, os quais apontam como motivos da procura de apoio dificuldades de natureza académica, de gestão de tempo, de gestão de ansiedade e problemas relacionados com as relações interpessoais e/ ou familiares. Algumas destas dificuldades apresentadas pelos estudantes são comuns nesta faixa etária, estando associadas às tarefas desenvolvimentais e próprias da frequência no ensino superior. Não obstante, considera-se que o período de adversidade COVID-19 influenciou o agravamento de sintomas psicológicos prévios, como, por exemplo, a ansiedade. Os estudantes referem ainda angústia, insónia e, em menor percentagem, solidão e depressão. A quebra das rotinas e do estilo de vida que os estudantes tinham antes da pandemia, a perda de autonomia com o regresso a casa dos pais, a privação de programas com as suas redes sociais e grupos de referência, bem como as exigências do ensino à distância podem interferir com o equilíbrio emocional dos jovens, resultando numa maior sobrecarga e dificuldade em gerir as ansiedades sentidas.

 A pandemia colocou o mundo em suspenso, exacerbando a incerteza e o medo. O mundo trava uma luta desigual com um inimigo que é invisível, ameaçador e que nos priva em todas as esferas de vida. A carregada sensação de incerteza pode criar naturalmente respostas reativas de medo e de pânico constantes, assoberbadas, tantas vezes limitadoras.

 Este período trouxe, sem dúvida, novos desafios. É comum que os estudantes se sintam esmagados pelas novas exigências: autodisciplina e autorregulação no ensino à distância, formas de avaliação, sobrecarga nas tarefas, equilíbrio entre a gestão de tempo dedicado aos estudos e tempo de lazer. Tudo confinado num tempo e espaço únicos, por vezes incompatível.

 Posto isto, considera-se que a saúde mental dos estudantes universitários pode estar fragilizada por todas as mudanças abruptas, das quais podem emergir dificuldades em lidar com incerteza face ao futuro, quer a nível académico, como a nível profissional.

 Equitativamente, os resultados preliminares de algumas investigações nacionais sobre o impacto da COVID-19 na população em geral, apresentados no âmbito da reunião do Observatório de Responsabilidade Social e Instituições de Ensino Superior (ORSIES), sugerem que a população universitária tende a manifestar uma maior vulnerabilidade em termos de saúde mental. Face a estes resultados e antevendo-se a emergência ou intensificação de problemas de saúde mental no período pós-COVID, considera-se fundamental relembrar a comunidade estudantil dos diversos recursos de apoio que se vêm a disponibilizar, nomeadamente os serviços de apoio psicológico da Universidade do Porto.

 Sílvia Gonçalves João
 Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta
Serviço de Apoio Psicológico e Integração do pólo do Campo Alegre da UPorto
PsiCA

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